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O Processo Decisório nas Organizações


O Processo Decisório (Contextualização)



Nos dias atuais, o cenário econômico e as organizações nele inseridas se modificam constantemente. Esse fato aumenta o impacto da influência que ambos exercem um sobre o outro, assim como as suas consequências. Diante dessa conjuntura, é necessário o administrador moderno permanecer alerta em relação aos ambientes interno e externo da organização, para que ele possa obter a escolha mais eficaz e simétrica em relação a realidade organizacional da qual faz parte.

Um processo organizacional considerado de grande relevância para um gerenciamento eficaz das organizações é o chamado processo decisório. O processo decisório é o poder de escolher, em determinada circunstância, o caminho mais adequado para a empresa. Para que um negócio ganhe a vantagem competitiva é necessário que ele alcance um desempenho superior, e para tanto, a organização deve estabelecer uma estratégia adequada, tomando as decisões certas.

Natureza do processo decisório


O estudo do processo decisório tem evoluído desde os anos de 1940. Isso se deve, principalmente, ao crescente conhecimento dos problemas aplicados, ao desenvolvimento de novas técnicas administrativas e à absorção de novos procedimentos quantitativos oriundos da matemática e da pesquisa operacional. A Teoria das Decisões nasceu de Herbert Simon,  que a utilizou para explicar o comportamento humano nas organizações.

Simon (1916-2001), estudou a administração sob a perspectiva do processo de tomar decisões. De acordo com ele, administrar é sinônimo de tomar decisões, especialmente quando se tratava das ações gerenciais. Através desse ponto de vista, ele isolou o aspecto de trabalho gerencial, ampliando seu campo de estudo. Segundo o próprio autor, o processo de tomar decisões possui três fases no total: prospecção (análise de um problema ou situação que requer solução), concepção (criação de alternativas de solução para o problema ou situação), decisão (julgamento e escolha de uma das alternativa propostas).

Fases do Processo Decisório

O homem econômico, de acordo com Simon, busca a maximização dos ganhos por meio da racionalidade. Segundo o autor, a racionalidade é limitada e ineficiente, e por isso ele propôs um modelo distinto - o do homem administrativo. Nesse modelo, as decisões tendem a ser satisfatórias ao invés de maximizadas. As decisões satisfatórias são aquelas que atendem aos requisitos mínimos desejados, fazendo com que os administradores sejam guiados pela regra de que qualquer decisão serve, desde que pareça resolver o problema.

Os principais tipos de decisão (do processo decisório)


Simon distingue dois tipos de decisões: programadas e não programadas. As decisões programadas são caracterizadas por serem repetitivas, rotineiras e estruturadas (tomadas automaticamente). São as decisões automatizadas, sequenciais que não necessitam da intervenção do decisor. Geralmente, são bastante previsíveis e possíveis de serem incorporados em um sistema de informação, por exemplo. O hábito, a rotina, os manuais de instruções e operações padronizadas são formas de tomar decisões programadas. 

As decisões não programadas não dispõem de soluções automáticas, pois são desestruturadas. São as decisões não automatizadas que dependem da solução do decisor. O lançamento de novos produtos, a redução do quadro de funcionários e uma mudança na sede da empresa são exemplos de decisões não programadas. Para lidar com essas decisões, o autor indica que os gerentes devem ser capazes de desenvolver sua capacidade de julgamento, intuição e criatividade. Para ele, o desenvolvimento dessas habilidades permitiria aos gerentes lidar de forma mais eficiente contra as complexidades das decisões.

Alguns autores ainda levam em conta as chamadas decisões semi-programadas (ou semi-estruturadas). Esse tipo de decisão pode ser sistematizada até certo ponto, dependendo de estruturas mais complexas do sistema de informação para que os resultados esperados de cada alternativa de escolha sejam selecionados de forma otimizada, a partir dos mesmos critérios. Nessas situações, parte do problema pode ser incorporada ao sistema de apoio às decisões e parte não. Geralmente, quando variáveis interferem no processo de decisão, é o momento em que entra em cena a capacidade de julgamento do administrador (citada por Simon), dependendo, principalmente, de sua experiência com o contexto do problema.

Técnicas e Ferramentas de apoio ao processo decisório


A função de decisão está essencialmente ligada às posições gerenciais, ou seja, aos berços da liderança. Para diversos autores, a liderança é importante para a eficácia das organizações, tendo sempre em vista as frequentes turbulências e mudanças do cenário econômico em geral. Havemos de concordar que a autoridade pode ser suficiente em épocas de estabilidade, porém, num ambiente em constante transformação é preciso haver liderança, pois ela é a força direcionadora que torna possível a permanência das organizações nesse contexto.

Para auxiliar o processo decisório, existem diversas técnicas e ferramentas que contribuem para uma melhor tomada de decisão. Como ferramentas, podemos citar os sistemas de informação, que a partir dos anos 70 e início da década de 80, passou a ser aceita como capacitor do controle gerencial, auxiliando na tomada de decisão de gerentes e executivos em vários tipos de problemas. Nós já falamos sobre a administração de sistemas e os principais sistemas de informação, assim como as vantagens que cada um proporciona (você pode dar uma conferida no link destacado).

"Qualquer empresário preocupado com o desenvolvimento de seu negócio deve investir em informação, pois ela é fundamental em todas as etapas do processo decisório." (Carmo, 2006)

É importante lembrar também, que cada vez mais as empresas buscam o auxilio de técnicas para aprimorar e reforçar a tomada de decisão. Essas técnicas permitem visualizar cenários e problemas de forma prática e precisa, e assim, melhorar os aspectos do processo decisório e do contexto da própria organização. Dentre as técnicas mais conhecidas atualmente nós temos: a prospecção de cenários, o brainstorm e a espinha de peixe (diagrama de ishikawa). Todas essas técnicas vem sendo bastante utilizadas pelas empresas modernas como forma de auxílio ao processo decisório.

Concluindo


As decisões são estágios para diversos problemas, e sua complexidade é demasiadamente ampliada pela ambiguidade de um processo decisório deficiente. O pressuposto básico dessa afirmação é que o processo decisório envolve diferentes tipos de decisão, e em resumo, o processo decisório é uma questão de múltiplas variáveis. Alguns autores consideram a possibilidade das decisões também serem influenciadas por outros fatores, como outras organizações, legislações e fornecedores por exemplo, o que agrava (complica) ainda mais o processo de tomada de decisão.

Considerando o ambiente das organizações, no qual diversas mudanças motivadas pelo atual cenário econômico vêm ocorrendo, podemos analisar algumas tendências se destacando em relação à tomada de decisão, tais como: o estudo da concorrência, análise de cenários globalizada, uso expansivo de tecnologias da informação, assim como outras atividades que visam melhorar e facilitar a tomada de decisão dentro das organizações. Portanto, conseguimos perceber um pouco da importância do processo decisório nas organizações, concluindo que se trata de uma peça fundamental para os gerentes, assim como para as organizações modernas que desejam se manter competitivas e atuantes no seu mercado ou segmento..

Até a próxima pessoal!

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