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Teoria Comportamental da Administração


O surgimento da Teoria Comportamental.


A Teoria Comportamental da Administração

Desde o começo da sociedade industrial, ficou evidente que o desempenho e a produtividade das empresas dependem muito do comportamento das pessoas que dela participam e não apenas da eficiência dos seus recursos e sistemas técnicos. Com o passar do tempo, o enfoque da Escola Clássica e da Administração Científica ganharam grande destaque nas organizações, o que ocorreu da mesma maneira com a Teoria Comportamental, que consolidou seu espaço no mundo corporativo no início do século XX. A Teoria Comportamental da administração (ou Teoria Behaviorista) trouxe consigo um novo conceito a ser estudado, esse conceito era: a abordagem da ciência do comportamento.


Autores como Kurt Lewin, Chester Barnard e Mary Parker Follet, foram muito importantes para o desenvolvimento da Teoria Comportamental, porém, seu início é creditado à Hebert Alexander Simon e seus trabalhos sobre o processo decisório e os limites da racionalidade. Entretanto, alguns doutrinadores afirmam que as experiências que deram base a Teoria Comportamental surgiram ainda na Teoria das Relações Humanas, com Lewin e Barnard. É importante sabermos que a ênfase do estudos do comportamento se encontra no fator humano, no entanto, levando em consideração também o contexto organizacional e a perspectiva das pessoas que fazem parte deste cenário.

A Teoria comportamental e a psicologia industrial


Hugo MunsterbergPara os sistemas que adotam a Teoria Comportamental, o mais importante numa organização é o seu sistema social, ou seja, as pessoas que fazem parte da companhia, assim como as suas necessidades, sentimentos, atitudes e comportamentos como integrantes de grupos e conjuntos.

É importante ressaltarmos que o enfoque comportamental nos dias atuais foca principalmente nas características individuais do ser humano e no comportamento coletivo das pessoas. A Abordagem comportamental apresenta-se como o ápice da psicologia organizacional na teoria administrativa e na busca por soluções democráticas para os problemas organizacionais.  A teoria comportamental defendia a valorização do colaborador em qualquer nível empresarial, buscando um padrão na administração e nas pesquisas administrativas como um todo.

Ainda assim, sabe-se que os estudos acerca do comportamento manteve a ênfase da escola das relações humanas, que possuía as pessoas como foco principal, contudo, dentro de um contexto mais organizacional. Sabe-se que a Teoria Comportamental sofreu influência de diversas outras ciências, como por exemplo a sociologia, antropologia e a psicologia. Ela também agregou e adaptou diversos conceitos constantes dessas áreas para a administração de empresas, fornecendo uma visão ampla do comportamento das pessoas no ambiente de trabalho. No geral, ela visava a redefinição dos conceitos administrativos através da crítica às teorias anteriores (Clássica e Humana)

Um dos principais autores da área da psicologia industrial é o famoso Hugo Munsterberg, Seu livro Psychology of Industrial Efficiency (imagem acima) é considerado o primeiro trabalho de real importância sobre o assunto. Foi a partir dos anos 30 que a psicologia industrial começou a se desenvolver de forma mais ampla, expandindo seu campo de estudo para assuntos como a Teoria das Relações Humanas, comportamentos colaborativos, supervisão gerencial (liderança), comunicação e satisfação no trabalho. Após essa ampliação no campo de estudo a psicologia industrial passou a ser chamada de "organizacional", pois se encontrava intimamente ligada à Teoria comportamental e as ciências do comportamento empresarial.

A Escola das Relações Humanas


Teoria comportamental - Experimento de Hawthorne

Um dos eventos mais importantes para a Teoria Comportamental foi o famoso experimento de Hawthorne. Esse experimento ajudou a revelar a importância do grupo em relação ao desempenho do indivíduo. Ele também foi considerado um dos principais impulsionadores dos estudos acerca das organizações informais. Pelo que se sabe, o experimento de Hawthorne foi realizado no período de 1927 a 1933, sendo também parte de um programa mais amplo, estruturado pelo professor Elton Mayo, que durou cerca de 20 anos, até o ano de 1947.

Esse experimento foi o pontapé inicial da Escola das Relações Humanas, uma vez que conseguiu demonstrar que as relações interpessoais se tratava de um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento e desempenho individual. Ele foi realizado numa fábrica no bairro que dá nome a pesquisa em si, em Chicago, EUA. Durante sua execução foram realizados diversos testes na linha de produção, eles visavam encontrar variáreis que influenciassem positiva, ou negativamente, a produção. No geral, a fábrica deveria ser vista como um sistema social e não apenas um sistema econômico-industrial que gerava lucros.

O primeiro teste realizado encontrou a relação da intensidade da luz com a produtividade dos colaboradores e como ela afetava a atividade dos mesmos. Noutro teste, foi percebido uma variável muito ampla em relação ao experimento, ela era o fator psicológico dos trabalhadores. Devido a isso, o foco do experimento mudou totalmente, passando a ser direcionado para o comportamento dos participantes, sua integração, necessidades e aspectos emocionais. Em 1933, Mayo publicou o livro The Human Problems of an Industrial Civilization, no qual diz que o desempenho das pessoas depende muito menos dos métodos de trabalho, do que dos fatores comportamentais (emocionais).

A ciência por trás da Teoria comportamental


O estudo sistemático sobre o comportamento, mais a análise do impacto sobre os grupos e organizações são os dois principais ramos da teoria comportamental da administração, que surgiu junto com os primeiros estudos sobre a psicologia experimental no começo do século XX. Um dos grandes nomes que ajudaram a fundamentar a teoria comportamental foi o de Mary Parker Follett, que afirmava que o homem no trabalho era motivado por necessidades e desejos semelhantes aos que o motivavam em diferentes circunstâncias. Uma dessas necessidades era a do controle da sua situação, que demonstrava que no lugar da intimidação, a coordenação é que seria a base de uma boa administração.

Chester Barnard, por exemplo, exprimiu que as organizações são sistemas cooperativos por natureza, onde as pessoas cooperam pelo objetivo da organização, através de um equilíbrio mútuo entre os benefícios oferecidos pela empresa e o esforço do trabalhador pela mesma. Barnard ainda analisou os grupos informais, o papel dos gerentes e o desempenho das organizações por meio do comportamento humano. Outro grande autor sobre as ciências do comportamento foi Kurt Lewin, que é considerado por muitos como o pai da dinâmica de grupo. Seus estudos ao longo da década de 30 e início dos anos 40, tiveram um grande impacto sobre as práticas e teorias administrativas

Conclusão - Teoria comportamental da administração


Em resumo, segundo o enfoque comportamental, a organização deve ser vista não apenas pelo seu lado técnico e normativo, mas também como um sistema social, constituído principalmente por pessoas, sentimentos, interesses e motivações. A principal finalidade da teoria comportamental é compreender o sistema social da empresa e a forma como ele influência a organização e o seu desenvolvimento. Para conhecimento, o comportamento organizacional é basicamente, o estudo sobre os grupos e indivíduos e o modo como eles interagem entre si e com a organização.


Diferente das teorias que a precederam, a teoria comportamental da administração mostra-se completamente contrária aos conceitos formais e rígidos da teoria clássica e aos conceitos "românticos" da teoria humanista. Para a ciência do comportamento, era impossível um trabalhador atingir um bom nível de eficiência apenas com a satisfação no trabalho realizado, sendo necessário analisar os aspectos comportamentais e interdisciplinares envolvidos. Como dito acima, o comportamento nada mais é do que a forma que um indivíduo interage com o ambiente do qual faz parte e é justamente disso que a teoria comportamental trata.

Portanto, podemos considerar que a teoria comportamental nos trouxe uma nova concepção e um novo enfoque acerca das teorias administrativas, ampliando ainda mais os estudos da administração de empresas. Ela auxiliou ainda no abandono das posições normativas e prescritivas das teorias anteriores, inserindo o estudo das ciências do comportamento e apresentando a influência do fator humano e de seu comportamento em relação à organização. Vale ressaltar ainda que, o surgimento das ideias e conclusões provenientes da psicologia organizacional e dos estudos comportamentais, foram de extrema importância para que o trabalhador passasse a ser interpretado com um ser motivacional, psíquico e dotado de necessidades, ou seja, passivo de aprender, desenvolver e transformar suas atitudes.

Até a próxima!

Referências Bibliográficas: 
MAXIMIANO, Amaru. Teoria Geral da Administração. Atlas, 2012.
MOTTA, Fernando C.P. Teoria Geral da Administração. São Paulo. Pioneira, 1991.
CHIAVENATO, Idalberto. Introdução a Teoria Geral da Administração. Elsevier, 2004.

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